Fake News na área da Saúde

Qual sua fonte de informação de temas sobre Saúde? É perigoso ter como fonte um grupo de WhatsApp e/ou perfis de Instagram.

As notícias falsas sempre existiram, mas a Internet também aprimorou a abrangência de quem produz isso. Desde o início da pandemia de Covid 19 já foi possível ver como elas impactaram na adesão das pessoas nas campanhas de vacinação.

Para além do tema Covid 19, as fake news na área da Saúde continuam nas redes. É preciso ter cuidado e acreditar somente no que é divulgado por fontes oficiais da área da Saúde e por portais sérios de Jornalismo.

Exemplos de sites onde se pode verificar informações oficiais da área da Saúde Pública:
Ministério da Saúde
OPAS / Organização Mundial de Saúde
Anvisa
Instituto Butantan
Fiocruz
Associação Brasileira de Saúde Coletiva
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
Conselho Nacional de Secretários de Saúde
Conselho Nacional de Saúde
Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde

O tom sensacionalista e de uma versão apenas é uma das características da notícia falsa. Você pode copiar o link deste artigo e compartilhar no WhatsApp toda vez que algum tiver uma notícia duvidosa envolve a Saúde Pública.

Ana Célia Costa

Acadêmica de Fisioterapia.

Jornalista (DRT 326)

Chegada de 7,7 milhões de doses de vacinas Covid-19 da Pfizer para crianças de 6 meses a 11 anos de idade

A Ministra da Saúde, Nísia Trindade, anunciou que nesta sexta-feira (20/01) e sábado (21/01) chegam mais de 7,7 milhões de doses de vacinas Covid-19 da Pfizer para crianças de 6 meses a 11 anos de idade: “As vacinas serão distribuídas para todos os estados e DF nos próximos dias. O Ministério da Saúde segue em tratativas com o laboratório para adiantar as entregas e ampliar a campanha de vacinação contra a Covid-19.”

Essa data de chegada já havia sido divulgada em coletiva de imprensa no dia 06/01. Nesse dia foi informado que as vacinas seriam da Pfizer e que a herança da gestão anterior do Governo Federal foi a falta de vacinas pediátricas.

Além disso, também já foi anunciado que a vacinação anual contra Covid será incluída no calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI). A decisão foi aprovada por área técnica do Ministério da Saúde e prevê a utilização da vacina bivalente da Pfizer com eficácia comprovada contra a variante Ômicron original e a cepa BA1 do coronavírus.

Leia também: “Recuperar é o principal verbo da nova Ministra da Saúde, Nísia Trindade” e “Posse do presidente Lula: “Vamos recuperar o orçamento da Saúde para garantir a assistência básica, a Farmácia Popular e promover o acesso à Medicina especializada”.

Ana Célia Costa

Acadêmica de Fisioterapia

Jornalista (DRT 326)

Qual a importância da Toxicologia?

A diferença entre o remédio para salvar uma vida e o remédio para tirá-la pode ser de uma dose. É imprescindível o estudo acerca da toxicologia, haja vista que as pessoas estão expostas a produtos químicos o tempo todo. Isso não ocorre somente em relação à medicação. A toxicologia também abrange a alimentação (produtos processados, por exemplo), refrigerantes, produtos de limpeza, produtos de beleza, etc. 

Ao tomar um comprimido, o paciente precisa ter noção sobre a sua atuação no organismo. Todo remédio possui uma bula descrevendo o processo de absorção e excreção, por exemplo. 

É justamente a farmacocinética a responsável pela velocidade com que os fármacos têm seu ponto de ação até o fim do processo resultando na eliminação por meio da urina ou suor. Entretanto, nada é uma ciência exata, haja vista que a temperatura, o uso de outros remédios e a luz podem ter alguma influência no resultado do tratamento. Além disso, também há as reações adversas do que já se espera após os estudos com suas respectivas porcentagens. 

Todo o processo de exposição/ingestão é analisado. Isso vale inclusive para o tempo de concentração em que o remédio desempenha o efeito desejado. Esse desempenho e a sua possível questão tóxica é chamada de janela terapêutica.

Embora exista risco em qualquer uso de fármaco, é importante destacar sua importância para a história da humanidade. Muitas vidas já foram salvas e muitas pessoas têm mais qualidade de vida mesmo enfrentando patologias graves graças a esse avanço na ciência farmacêutica. Em conjunto, o cidadão tem o apoio do Sistema Único de Saúde (SUS) para obter seus remédios após receber a indicação médica. Tem também a possibilidade de obter via programa Farmácia Popular.

Ana Célia Costa

Acadêmica de Fisioterapia.

Jornalista (DRT 326)

A fome e a educação

Tendo como testemunha a Igreja de São Sebastião, a fome é a principal causa de mal estar de alunos da Comunidade que leva o mesmo nome do santo católico, em Iranduba (36,3 km de Manaus). Dos 500 alunos da Escola Municipal Marcos Benício Rios, o registro é de 3 a 4 vezes por semana alguém desmaia por causa da fome. A informação é do diretor da instituição Washington Nascimento da Cunha. A escola fica ao lado da Unidade Básica de Saúde (UBS) Joana Miranda de Oliveira.

Além dos desmaios pela fome, há também outras questões sociais que influenciam. “A gripe é o principal motivo pelo qual os alunos faltam.Também há muitos que frequentemente têm diarreia ou verme. As crianças brincam descalças e isso é fora da escola. Outra doença é a dengue”, explicou Cunha. 

A saúde mental dos jovens também é problemática. O diretor também alertou:  “Há muitas crianças com ansiedade e depressão. Em uma tarde já presenciei 18 adolescentes se mutilando. Também há um aluno que já se suicidou em 2020”.

A questão estrutural da região é precária. A escola tem um poço artesiano. Este fica aberto das 6h às 20h. “Já tentamos mobilizar para termos asfalto aqui, mas no sistema consta que nossas ruas já estão asfaltadas”, denunciou o diretor. A Comunidade São Sebastião não tem ruas asfaltadas e em época de chuvas isso é um fator que impede a população de transitar com qualidade.  

Na Escola Municipal, há crianças da Comunidade São Sebastião, São Francisco I e II, Nova Conquista e Peixe-Boi. A principal alimentação dessas crianças provém da merenda escolar. A divisão da alimentação é intercalada da seguinte forma: um dia é servido suco e mingau (que pode ser de aveia ou munguzá); outro dia é servida alguma proteína. “Para muitos é a única alimentação do dia. Não era tanto assim antes. As crianças desmaiam de fome. Estou há 4 anos na gestão desta escola, mas há 9 anos sou professor aqui. Os últimos anos do Governo Bolsonaro foram terríveis para nossas crianças”, destacou o diretor. 

O tráfico de drogas também está inserido na Comunidade São Sebastião. Washington Cunha informou que nos últimos cinco anos já perdeu mais de 30 anos para o mundo das drogas. São jovens que foram assassinados e que, de alguma forma, estão ligados ao tráfico. 

A mobilidade também é totalmente insuficiente para a região. “Aqui não passa ônibus. Temos duas rotas escolares.Uma é da Prefeitura e outra é terceirizada. Essa falta de qualidade na mobilidade também impacta com a falta de estrutura nas vias, como já foi citado anteriormente. A coleta de lixo é realizada uma vez por semana. 

Apesar de todas as dificuldades pela falta de qualidade, as crianças da escola da Comunidade São Sebastião têm ações  de saúde da escola uma vez por mês. São atendimentos de dentistas e campanhas de vacinações. O atendimento psicopedagógico também envolve apoio a 4 alunos autistas e um com suspeita de síndrome de down. 

Dados

Na Escola Municipal Marcos Benício Rios o ensino é dividido da seguinte forma: no turno matutino são turmas do  1º ao 4º ano; no vespertino são do 5º ao 9º ano; no noturno são do 6º ao 9º ano e Educação de Jovens e Adultos (EJA). 

Ana Célia Costa

Acadêmica de Fisioterapia.

Jornalista (DRT 326)

Geografia e saúde coletiva no Brasil

Dos retrocessos na Saúde Pública no Brasil, o deterioramento do Programa Nacional de Imunizações possivelmente esteja entre os destaques, haja vista que há baixa cobertura em todas as vacinas no Brasil. Embora a Saúde seja de responsabilidade da esfera Federal, Estadual/Distrital e Municipal, as ações não são organizadas e há falta de logística eficiente para a reposição.

O principal retrato dessa desassistência na imunização foi visto durante o início de 2021. As regiões não receberam as vacinas de forma organizada. Exemplo: Manaus recebeu carregamento de vacinas que era de Macapá e vice-versa. Neste caso, o erro gerencial é completo, visto que todas as regiões tinham que receber quantidades certas para o público-alvo de suas localidades. 

Conforme a matéria “76 mil doses de vacina que tinham sido enviadas por engano ao Amapá chegam ao Amazonas”, do G1:

“O Ministério da Saúde admitiu que errou e trocou a quantidade de doses de vacinas contra a Covid-19 enviadas ao Amazonas e ao Amapá. As 78 mil doses que deveriam chegar ao Amazonas foram desembarcadas no Amapá, que aguardava 2 mil doses.”

A situação não faz parte apenas do passado. Ainda em 2022, o Rio de Janeiro tem recorrentes suspensões nas vacinações contra Covid pela falta de envio por parte do Ministério da Saúde. Outras questões também influenciam na demora para envio. A falta de vacinas Coronavac (Butantan) também reflete a divergência política existente entre o Governo Federal e o Governo de São Paulo. 

O artigo “A campanha de vacinação contra o SARS-CoV-2 no Brasil e a invisibilidade das evidências científicas” corrobora com esse questionamento: 

Muitos foram os tropeços e embates do governo relacionados à vacina e ao processo de vacinação. Desde o início da pandemia, em meados de 2020, o governo federal criou crises diplomáticas com a China e a Índia, os maiores produtores de insumos farmacêuticos ativos do mundo, que repercutiram na capacidade do Brasil em produzir vacinas. As duas maiores instituições brasileiras produtoras de vacina, o Instituto Butantan, responsável pela CoronaVac, e a Fiocruz, pela AstraZeneca, foram profundamente afetadas. Em 2020, o governo federal poderia ter encomendado 200 milhões de doses da COVAX Facility, a Aliança Mundial de Vacinas formada por 165 países que buscavam garantir suas vacinas, mas se recusou a fazer parte dessa coalizão e só de última hora se somou ao grupo e encomendou apenas 42,5 milhões de doses, não sendo suficiente nem para os grupos prioritários. A Pfizer ofereceu a venda de 70 milhões de doses da vacina e o governo nunca respondeu às repetidas consultas da empresa. Ainda em outubro de 2020, o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, mas foi desautorizado pelo presidente da República e suspendeu a compra. O Ministério da Saúde também não assinou contrato com a Janssen em 2020, mesmo com a empresa afirmando que o Brasil seria prioridade para a entrega de vacinas por ter sido sede do estudo clínico de fase 310. Até dezembro de 2020, o Brasil só havia estabelecido acordo com a AstraZeneca para a realização de transferência de tecnologia para a Fiocruz. Nesse contexto, fica claro o processo de fragilização do Programa Nacional de Imunizações durante a pandemia da COVID-19 no Brasil.

A organização e o planejamento para a devida implementação do Programa Nacional de Imunizações deve ser feita analisando as questões geográficas do Brasil. Algumas regiões são de fácil acesso por via terrestre. Outras (como o Amazonas) demandam também um planejamento via transporte fluvial e isso faz com que o tempo para chegada ao destino seja totalmente diferente.

A vacinação é fundamental para a prevenção de diversas patologias. Faz parte da promoção à saúde e, desta forma, está inserida nas ações da Atenção Básica, na Saúde Coletiva.

A Saúde de fato será Coletiva quando se analisar justamente as necessidades do coletivo. Enquanto questões políticas estiverem à frente da saúde da população, a Saúde será apenas Individual. 

Ana Célia Costa

Acadêmica de Fisioterapia.

Jornalista (DRT 326)